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Ave migratória resgatada em Belém retorna à natureza após recuperação no Mangal das Garças

spécie anilhada nos Estados Unidos será solta na orla da UFPA nesta sexta-feira (17), após passar por cuidados veterinários e testes de reabilitação

Ave será solta nesta sexta-feira (17), na orla da Universidade Federal do Pará (UFPA)
Ave será solta nesta sexta-feira (17), na orla da Universidade Federal do Pará (UFPA)

Ela atravessou milhares de quilômetros, cruzou países e oceanos, e, por pouco, não teve sua jornada interrompida em Belém. Resgatada debilitada e encharcada pela chuva no mês de março, uma pequena ave encontrou no Parque Zoobotânico Mangal das Garças um ponto de descanso, cuidado e recuperação. Agora, pouco mais de um mês depois, está pronta para voltar ao seu caminho natural.

A surpresa veio logo na avaliação inicial, tratava-se de uma Sterna hirundo, o trinta-réis-boreal, espécie migratória que se desloca todos os anos entre o Hemisfério Norte e a América do Sul. Mas havia um detalhe ainda mais impressionante: uma anilha de identificação internacional atrelada ao tarso (perna) da ave.

Identificação da anilha metálica na perna da ave
Identificação da anilha metálica na perna da ave

A partir desse pequeno código, a equipe conseguiu rastrear a origem da ave e entrar em contato com o Eastern Ecological Science Center, nos Estados Unidos. A resposta revelou a dimensão da viagem: o animal havia sido anilhado em 2023, no estado de Massachusetts.

Segundo o médico veterinário do Mangal, Camilo González, a longa travessia ajuda a explicar o estado em que a ave chegou. “Estamos falando de uma espécie que percorre distâncias enormes. Ao longo desse trajeto, é comum que alguns indivíduos apresentem desgaste físico, e esse provavelmente foi o caso desse trinta-réis”, explica.

Após o resgate, o trinta-réis passou por quarentena, exames clínicos e um acompanhamento cuidadoso da equipe técnica. Com a recuperação avançando, vieram os testes decisivos: avaliar se ainda tinha condições de sobreviver sozinho na natureza.

O voo, claro, foi um dos principais critérios. “A gente precisa ter certeza de que ela está apta a retomar essa jornada migratória. Por isso, realizamos testes específicos para avaliar resistência e capacidade de voo”, detalha o veterinário.

Outro ponto fundamental foi o comportamento alimentar. Para isso, a equipe utilizou peixes vivos, estimulando a ave a caçar como faria em seu habitat natural. A resposta foi positiva.

A técnica ambiental Beatriz Tavares, especialista em aves, explica que esse tipo de estímulo é essencial. “O enriquecimento com alimento vivo desperta habilidades naturais como atenção, agilidade e precisão na captura. Observamos que ela respondeu muito bem e voltou a se alimentar de forma eficiente, o que é determinante para a sobrevivência”, explica.

Com todos os indicadores favoráveis, a ave foi considerada apta para soltura, e o retorno à natureza já tem data e local marcados. Será nesta sexta-feira (17), na orla da Universidade Federal do Pará (UFPA), com apoio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Laboratório de Biogeografia da Conservação e Macroecologia da UFPA (BIOMACRO-Lab).

Trinta-réis-boreal chegou ao Mangal debilitada, recebeu tratamento e está apta a retornar à natureza
Trinta-réis-boreal chegou ao Mangal debilitada, recebeu tratamento e está apta a retornar à natureza

Mais do que um final feliz para a ave, a história revela um bastidor pouco conhecido, o fato de que Belém está na rota de aves que literalmente cruzam o planeta. Isso também revela a importância presença de espaços de conservação ambiental como o Mangal das Garças nos centros urbanos, os quais funcionam como um ponto estratégico de cuidado, pesquisa e preservação da fauna silvestre.

O Parque Zoobotâncio Mangal das Garças é administrado pela Organização Social Pará 2000, por meio da Secretaria de Estado de Turismo (Setur) e governo do Estado do Pará.

Serviço:

Funcionamento do Mangal: terça a domingo, das 8h às 18h. Fechado às segundas para manutenção. Entrada gratuita.

Entrada nos espaços monitorados (Borboletário e Memorial da Navegação) : R$ 9,00 (inteira) e R$ 4,50 (meia).

Texto: Beatriz Santos/Ascom OS Pará 2000

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